domingo, 22 de julho de 2007

A Razão Última da Transposição

Por Roberto Malvezzi, Gogó *

ADITAL Agência de Informação Frei Tito para a América Latina
http://www.adital.com.br
13.07.07 - BRASIL

Adital - Ainda na década de 80 um grupo de jovens empresários e políticos chegou ao poder no Ceará, capitaneado por Ciro Gomes e Tasso Jereissati. Eles tinham derrubado velhas e atrasadas oligarquias cearenses incrustadas no poder. Ao chegarem ao poder concebem, ao seu modo, um modelo de desenvolvimento moderno, projetando a indústria do turismo para as belas praias cearenses e um pólo econômico que inserisse o Ceará na economia globalizada. O projeto econômico por eles concebido baseava-se na posição geopolítica do Ceará, muito mais próximo dos Estados Unidos e da Europa. Nessa lógica, os produtos por ali exportados, chegariam mais baratos ao mercado consumidor do chamado primeiro mundo.

Para tal era preciso ter um porto no Ceará de grande porte. Foi feito o porto de Pecém. Para drenar os produtos de exportação era necessária uma malha ferroviária que trouxesse grãos, frutas e demais produtos até o porto. Foi pensada a ferrovia Transnordestina. No porto foi pensado um complexo industrial com uma siderúrgica, numa costura com empresas nacionais e transnacionais do aço. Para funcionar a siderúrgica era necessário trazer o gás, em debate esses dias com a Petrobrás por causa do preço. Finalmente, para movimentar todo esse projeto - indústria, irrigação, siderurgia, depois surgiu o camarão - era preciso água. O Ceará então fez a integração de várias de suas bacias e construiu o Castanhão para receber as águas do São Francisco, projetou a firme decisão de realizar a transposição, já que temem a falta de água para consumo humano caso todo esse uso econômico seja efetivado. A água era a peça que faltava. Portanto, sem a transposição o quebra cabeça econômico não se fecha.

Para implementar esse projeto o grupo desenhou a conquista do poder político. Era necessário manter o poder no Ceará. Então, no melhor estilo dos antigos coronéis, o grupo se dividiu pelos vários partidos políticos - a exemplo dos Coelhos em Petrolina - de forma que sempre é alguém do grupo que controla o partido, portanto, sempre alguém do grupo chega ao poder. Um velho coronel do sertão nordestino definiu assim essa tática: "ou dá na cabeça, ou na cabeça dá". De forma que o grupo controla alternadamente o poder no Ceará há vinte anos. Para ter apoio regional, chamou a Paraíba e Rio Grande do Norte para também receberem água da transposição. Mais tarde o Pernambuco será incorporado, ao cobrar sua cota por ser estado doador e atravessado pelos canais.

Mas não bastava o Ceará e a região, era preciso ter base política no governo central. A tática escolhida foi de estarem sempre próximos do governo eleito, ocupando um ministério que fosse o responsável pela obra. Dessa forma o grupo controlou o Ministério da Integração por quase vinte anos. Só agora perdeu, em parte, para a Bahia, mas no sentido de quebrar as resistências baianas ao projeto.

A grande chance de materializar o projeto surgiu na eleição de 2002. Ciro foi candidato à presidência e perdeu para Lula e Serra no primeiro turno, mas foi muito bem votado. Então, no segundo turno, costurou uma aliança política com Lula, isto é, apoio eleitoral em troca do apoio ao projeto econômico do Ceará. Lula, que sempre questionara a transposição, aceitou. Venceu a eleição e nomeou Ciro ministro da Integração. O resultado nós temos diante de nossos olhos.

Não há problema que uma região tenha seu projeto econômico, pelo contrário, é até legítimo. O inaceitável é mistificar o projeto em nome da sede humana, quando seu interesse é abertamente econômico. Para resolver o problema da sede temos soluções muitos melhores, baratas e eficientes que é o Atlas do Nordeste para o meio urbano e as obras da ASA para o meio rural. Porém, discutir a transposição na ótica do econômico é discutir uma outra lógica, isto é, qual a prioridade do uso da água e quais atividades econômicas são realmente sustentáveis em termos hídricos no Nordeste. Se a elite cearense - que comanda o projeto - e o governo Lula tivessem aberto o jogo desde o início, talvez o próprio Nordeste teria se beneficiado melhor do debate. Acontece que o porto de Pecém apresenta problemas de calado para receber grandes navios, a Petrobrás foi obrigada a subsidiar o gás por determinação de Lula, há resistências sérias à transposição de águas do São Francisco e o pólosiderúrgico tem sido questionado publicamente como inviável. Portanto, sem uma visão de conjunto e sem um debate claro sobre o objetivo econômico da transposição, estaremos debatendo apenas as fantasias postas pelo governo na mídia, mas não a razão última da transposição.

* Agente Pastoral da Comissão Pastoral da Terra (CPT)

CARTA DE CIENTISTAS

Um grupo de professores universitários e pesquisadores de diversas àreas está organizando uma Carta Aberta à Ministra Dilma Roussef contra a liberação comercial do milho transgênico.

Por favor, ajudem a divulgar.

As adesões devem ser enviadas para mariarita@terradedireitos.org.br.

Excelentíssima SenhoraDilma Roussef
Ministra da Casa Civil

Senhora Ministra,

Os abaixo assinados, professores universitários, pesquisadores e cientistas em diferentes áreas do saber, vêm solicitar que Vossa Excelência convoque reunião do CNBS (Conselho Nacional de Biossegurança), conforme estabelece o artigo 8º, §1º, inciso III e art.9º, §1º da Lei de Biossegurança (11.105/2005) para rever a decisão da CTNBio de autorizar o plantio comercial do milho transgênico daBayer, adotada na última sessão daquela Comissão, no dia 16 de maio deste ano, pelas seguintes razões:

1. A autorização para o plantio comercial do milho Liberty, da Bayer, foi extemporânea, pois a CTNBio sequer concluiu a discussão sobre a instrução normativa que deveria definir a metodologia, critérios e procedimentos necessários para autorizações de transgênicos. Isso significa dizer que ainda não se têm parâmetros consensualmente acordados para estabelecer um debate científico sobre as solicitações de liberação comercial a serem examinadas e que o debate que se assistiu sobre o milho da Bayer naquela comissão foi cientificamente pobre e caótico do ponto de vista metodológico.

2. A autorização dada a Bayer para comercializar milho transgênico careceu de qualquer rigor científico pois não se exigiu que a empresa realizasse estudo de impacto ambiental para os diversos ecossistemas do país, como seria de se esperar em se tratando da introdução de um transgênico que pode ter largo impacto sobre o meio ambiente e a economia do país. Um dos conselheiros mais entusiastas chegou a declarar que tal tipo de estudo só se poderia fazer a posteriori. Isso significa dizer que a CTNBio desrespeitou o artigo 255 da Constituição Brasileira que impõe ao Poder Público o dever de defender e preservar o meio ambiente ecologicamente equilibrado para as futuras gerações, ignorando deliberadamente o Princípio da Precaução, princípio norteador da Lei de Biossegurança que deveria reger sua atuação, e assim transformando o país em laboratório da Bayer e a nossa população, em suas cobaias.

3. A CTNBio furtou-se a debater com aqueles setores da comunidade científica e da sociedade brasileira que se opunham a uma liberação irresponsável e apressada do milho transgênico, tendo primeiro se recusado a realizar Audiência Pública e, mais tarde, quando forçada a realizar audiência em virtude de liminar concedida pela Justiça Federal, organizado-a de modo a cercear a livre expressão de movimentos sociais e cientistas independentes que aí compareceram com o intuito de apresentar as suas preocupações. Não satisfeita em ter impedido a manifestação destes últimos, a CTNBio não incluiu no dossiê da Audiência Pública as críticas e questões levantadas pelos poucos oradores que dela obtiveram permissão para manifestar-se, tampouco tendo nomeado relator para responder a essas críticas, conforme exige, no entanto, o decreto que regula o seu funcionamento.

4. Uma vez que o milho é planta de polinização cruzada, aCTNBio não deveria ter autorizado a sua liberação comercial sem antes ter discutido e aprovado uma política de coexistência com os outros sistemas convencional e agroecológico. Sem tal política, os milhões de agricultores brasileiros que poderão ser prejudicados ao terem seus cultivos contaminados, não saberão a quem recorrer para defender os seus direitos e obter reparação por danos materiais. Também o direito do consumidor a recusar alimento transgênico poderá ser ferido em sua essência, caso não haja efetiva proteção de cultivos orgânicos e convencionais contra contaminação por cultivos transgênicos não só durante a fase de plantio, mas também durante todo o processo de colheita, transporte e comercialização. Tanto esta questão é óbvia, que a juíza Pepita Durski Tramotini Mazini, da Vara Ambiental de Curitiba, atendendo à solicitação da Terra dos Direitos, IDEC -Instituto de Defesa do Consumidor, ASPTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa e ANPA - Associação Nacional de Pequenos Agricultores - no dia 28 de julho último suspendeu a decisão técnica da CTNBio referente à liberação do milho Liberty Link da Bayer até que sejam elaboradas as normas de coexistência das variedades orgânicas, ecológicas e convencionais com as variedades transgênicas e até que sejam definidos os termos do monitoramento do milho. A liminar estende seus efeitos sobre outras liberações comerciais de variedades de milhos transgênicos que estejam previstas para votação em próximas reuniões da CTNBio. Devido às implicações socioeconômicas destas regras de coexistência, sua elaboração a nosso ver extrapola as atribuições da CTNBio, devendo ser avocada por órgãos federais competentes como a ANVISA, o Ministério do Meio Ambiente e o Conselho Nacional de Biossegurança.

5. O milho é alimento de uso diário da população brasileira, também utilizado em larga escala na alimentação animal e em produtos industriais. A CTNBio considerou o milho da Bayer seguro para a alimentação humana e animal fiando-se apenas e somente nos argumentos oferecidos pela própria multinacional, não tendo mencionado ou conduzido testes para averiguar a sua inocuidade. Os argumentos da Bayer em prol do seu produto, ainda por cima, não se baseiam em testes de toxicologia ou alergenia, mas simplesmente em um controverso conceito de "equivalência substancial", que goza de duvidoso estatuto no seio da comunidade científica.

6. Como a Lei de Biossegurança determina que é da competênciado CNBS analisar os impactos socioeconômicos, bem como a conveniência e oportunidade da liberação do milho transgênico, seria indispensável que o CNBS se reunisse para fazer tal análise, de modo a evitar grandes prejuízos para a agricultura do país e em particular para a agricultura familiar, comunidades tradicionais e povos indígenas.

7. A autorização para a liberação comercial do milho da Bayer neste quadro de indefinição de regras, procedimentos e responsabilidades pelos seus impactos ambientais e de saúde viola, a nosso ver, compromissos assumidos internacionalmente pelo Brasil, como é o caso da Declaração de Roma sobre a Segurança Alimentar Mundial, de1996 e a Convenção das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica, de1992, das quais o Brasil é signatário. Segundo o Artigo 8 g) desta última Convenção, os países membros deveriam criar ou manter meios para regular, administrar ou controlar os riscos associados ao uso e liberação de organismos vivos modificados que possam ter impactos ambientais adversos ou afetar a preservação e uso sustentável da diversidade biológica, aí incluíndo-se também os riscos à saúde humana. Em particular o Protocolo de Cartagena estabelece em seu artigo 23 sobre Conscientização e Participação do Público, que os países membros fomentarão e facilitarão a conscientização, educação e participação do público no processo de adoção de decisões em relação a organismos vivos modificados e, em seu artigo 26, sobre Considerações Socioeconômicas, alenta os países membros a cooperarem e investigaremos efeitos socioeconômicos destes organismos, particularmente para as comunidades indígenas e locais. Por todas essas razões, consideramos imprescindível a convocação do órgão máximo de biossegurança do país, o CBSN, de modo a que este conselho possa rever o parecer técnico da CTNBio favorável à liberação do milho transgênico Liberty Link e analisar a conveniência socioeconômica de se permitir a liberação de milhos transgênicos no país.

Respeitosamente,
Drª Arline Sydneia Abel Arcuri - Pesquisadora Coordenação de Higiene do Trabalho, Divisão de agentes químicos . FUNDACENTRO

Drª Ana Amélia Silva - Profa. Assistente - Doutora do Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da PUC-SP. Pesquisadora do NEAMP - Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política da PUC-SP; e, do CENEDIC - Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania - USP.

Drª Islene Ferreira Rosa

Dr. Jorge Machado - Universidade de São Paulo

Dr. Laymert Garcia dos Santos - Professor Titular do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp

Dr. Lúcio Flávio Rodrigues de Almeida - Departamento de Política da PUC-SP

Dr. Prof. Luiz Menna-Barreto Fisiologia – USP

Drª Marijane Vieira Lisboa - PUC/SP

Dr. Marcelo Firpo Porto - Pesquisador Titular na Área de Saúde Ambiental -Escola Nacional de Saúde Pública/Fundação Oswaldo Cruz (ENSP/FIOCRUZ)

Dr. Paulo Roberto Antunes Aranha - Dept. Geologia - IGC/UFMG

Dr. Paulo Roberto Martins - IPT - Rede Renanosoma

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Especialista em meteorologia prevê resfriamento global nos próximos 15 anos

Monique Maia e Julio Cruz Neto
Da Agência Brasil

Pesquisadores e representantes da Agência Nacional de Águas (ANA) estiveram reunidos recentemente para debater mudanças climáticas e impactos sobre os recursos hídricos do Brasil. Entre eles, uma voz dissonante afirmava que a Terra não está esquentando, que o gás carbônico não aquece o planeta e que o homem não é o principal responsável pela emissão de gases poluentes, contrariando as principais conclusões do quarto relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês), divulgado este ano.

Professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Molion é dono de um currículo que inclui formação em física pela Universidade de São Paulo (USP), doutorado em meteorologia pela Universidade de Wisconsin (EUA) e pós-doutorado em Hidrologia de Florestas pelo Instituto de Hidrologia (Inglaterra) , além de uma passagem de 25 anos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), onde foi diretor. Mas isso não intimida outros especialistas ouvidos pela Agência Brasil, que discordam firmemente de suas contestações.

Sobre a temperatura, Molion alega que o planeta passa por fases alternantes provocadas por fenômenos naturais: aquecimento entre 1925 e 1946, resfriamento entre 1947 e 1976, novo aquecimento de 1977 a 1998 e, no momento, um resfriamento que ainda não terminou. "Minha previsão é de que nesses próximos 15 anos vai haver um resfriamento, porque o Sol está entrando em um período de menor produção de energia". Para ele, o planeta deve esfriar em torno de 0,1 a 0,2 graus em média.

O pesquisador aponta que a superfície terrestre passa atualmente por um período interglacial - entre dois períodos em que fica coberta de gelo. Lembra que houve quatro períodos anteriores como esse e as temperaturas eram mais elevadas com níveis de gás carbônico menores. "Isso é sinal de que o gás carbônico não é responsável pelo aumento de temperatura. Muito pelo contrário: o que se percebe é que há um aumento da temperatura primeiro e, depois, a concentração de gás carbônico vai atrás".

Molion defende ainda que a quantidade de gás carbônico emitida pelo homem é três vezes menor que a de fluxos naturais da fotossíntese em florestas, oceanos e solos.

O IPCC divulgou relatórios este ano que revelam que a maior parte do aquecimento dos últimos 50 anos se deve aos gases de efeito estufa produzidos por atividades humanas, já que as emissões aumentaram 70% entre 1970 e 2004. Os estudos apontam que 49 bilhões de toneladas de gás carbônico são despejadas na atmosfera por ano.

Os pesquisadores Carlos Nobre e Thelma Krug, ambos membros do Inpe e do IPCC, ficaram inconformados ao ouvir as opiniões de Molion e disseram que não há como contestar a seriedade das conclusões do estudo.

Ela, que é secretária nacional de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental e doutora pela University of Sheffield (Inglaterra) , diz ter conhecimento suficiente para afirmar que qualquer questionamento é "infundado".Nobre, que fez doutorado no Massachussets Institute of Technology (EUA) e pós-doutorado em Maryland (EUA), comentou que o professor não está mais na ativa. No currículo lattes de Molion, consta a publicação de três artigos em periódicos no ano passado e nenhum neste ano; nenhum texto em jornal ou revista desde 2003; e dois trabalhos completos em anais de congressos neste ano.

O relatório do IPCC aponta que a Terra vai se tornar mais quente até o ano de 2100, o que significa aumento do nível do mar e catástrofes naturais mais intensas. Pelas projeções dos 2.500 cientistas que participaram do estudo, o aumento será de 1,8 a 4 graus. Apesar de os índices de gases de efeito estufa e aerosóis terem se mantido estáveis nos últimos anos, a concentração desses gases deve causar aquecimento de 0,1 grau por década nos próximos 20 anos. Nos países do Hemisfério Norte, o aquecimento será mais intenso. As principais causas são as emissões e o aumento da concentração de gases poluentes, principalmente por causa do uso de combustíveis fósseis, como o petróleo."Nós devemos ser a mudança que queremos ver no Mundo."

Brasil produz 210 mil toneladas de plástico para sacos de supermercado

enviado por Greenpeace

O Brasil produz anualmente 210 mil toneladas de plástico filme, a matéria-prima dos saquinhos plásticos, o que representa cerca de 10% do lixo do país. Cada saquinho de supermercado pode demorar até um século para desaparecer completamente.

O deputado estadual Sebastião Almeida (PT-SP) é autor de um projeto de lei aprovado pela Assembléia Legislativa que obriga os estabelecimentos comerciais a trocarem sacolas de plástico comum por material biodegradável para o acondicionamento de produtos. Se for sancionada pelo governador José Serra, os comerciantes terão prazo de um ano para se adaptar à nova lei.

O deputado diz que os consumidores já se acostumaram a carregar as compras nos saquinhos plásticos, que já foram incorporaram no cotidiano, com o uso deles para abrigar o lixo doméstico, por exemplo. "Onde não existe a coleta seletiva, todo esse plástico termina em aterros sanitários e lixões a céu aberto, dificultando e impedindo a decomposição de materiais biodegradáveis" , afirma. Para o deputado, a situação poderia ser amenizada se houvesse maior preocupação com a reciclagem do lixo. Segundo a proposta aprovada pelos deputados de São Paulo, as embalagens que deverão ser utilizadas pelos estabelecimentos comerciais do estado devem desintegrar por oxidação em fragmentos em um período de tempo especificado e biodegradar tendo como resultado CO2, água e biomassa.

A proposta, do deputado estadual Sebastião Almeida (PT-SP), diz que devem ser usadas embalagens plásticas oxi-biodegradáveis (OBP), que apresente degradação por oxidação acelerada por luz e calor, e capacidade de ser biodegradada por microorganismos. Além disso, os resíduos finais não devem ser tóxicos.

As informações sobre os aditivos utilizados devem ser estampadas nas embalagens. Quem não cumprir as determinações da lei deverá pagar uma multa de cerca de R$ 42 mil. Na reincidência, a multa será aplicada em dobro.

(Fonte: Sabrina Craide / Agência Brasil)
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GREENPEACE BRASIL - MAILING LIST http://www.greenpeacebrasil.cjb.net

A máscara continua caindo...

Ariovaldo Umbelino de Oliveira*

A farsa dos números da reforma agrária do MDA/Incra continuou também em 2006. Embora o governo Lula tenha anunciado em nota oficial em 30/01/2007, que havia assentado um total de 136.358 famílias e prometido divulgar a relação dos mesmos em seu site, isto não ocorreu até hoje. Mesmo assim, a farsa veio à público. O Incra continua divulgando como assentamentos novos (Meta 1 do II PNRA) todas as famílias que tiveram as RBs – Relação de Beneficiários emitidas em 2006, pelas suas Superintendências Regionais. Isto quer dizer que, o órgão continua somando todas as famílias que tiveram suas posses regularizadas, ou que tiveram seus direitos nos assentamentos antigos reconhecidos, ou foram reassentadas em virtude da construção de barragens, como se fossem assentamentos novos.

Em primeiro lugar, em 2006, a distribuição oficial dos dados mostra que o governo teria assentado na região Sul 2.059 famílias (PR=921; SC=280 e RS=858), na região Sudeste 3.260 famílias (SP=1.018; MG=1.528; RJ=338 e ES=376), na região Centro-Oeste 14.153 famílias (MS=2.627; MT=7.971; GO=3.036 e DF=519), na Região Nordeste 35.313 famílias (BA=4.689; SE=456; AL=306; PE=8.065; PB=700; RN=1.016; CE=947; PI=6.054 e MA=13.080) e na região Norte 81.573 famílias (RO=1.007; AC=4.595; AM=8.931; RR=1.829; AP=2.068; TO=2.015 e, pasmem todos, PA=60.638). Causa no mínimo estranheza que as três SRs do Pará tenham particularmente no último trimestre de 2006, conseguido assentar mais de 60 mil famílias, e sobretudo que a SR-30 de Santarém tivesse sozinha assentado 34 mil famílias.

Esses números oficiais mostram que 78% dos assentamentos foram realizados na Amazônia Legal e, 47,5% somente no estado do Pará. Parece que o estado da governadora petista Ana Júlia da corrente Democracia Socialista-DS, além de ser a “bola da vez” nos escândalos da grilagem de terras devolutas e públicas (ver operação Faroeste da Polícia Federal em 2004), é também, “campeão” em assentamentos oficiais do Incra. Voltarei a analisar estes dados do Pará, pois eles contêm mistérios que a própria razão desconhece.Voltando aos dados gerais dos assentamentos oficiais de 2006, e depois de efetuado os expurgos e reclassificação dos mesmos, chega-se aos seguintes resultados:- reassentamento fundiário: 165 famílias;- reordenação fundiária: 31.120 famílias;- regularização fundiária: 59.294 famílias e- reforma agrária (Meta 1 do II PNRA): 45.779 famílias.

Portanto, o MDA/Incra não fez 136 mil assentamentos novos em 2006, mas sim, apenas 45 mil. Assim, somando-se este resultado com aqueles dos três anos anteriores (2003=24.020; 2004=34.185 e 2005=45.509) , o governo Lula implantou apenas 149.490 assentamentos novos, ficando a diferença (231.929) para a regularização, reordenação e reassentamentos fundiários.

É por isso que o MDA/Incra cumpriu apenas 37,4% da Meta 1 dos assentamentos novos e, apenas 46,4% da regularização e reordenação fundiária. Deixou também, de assentar 250.510 famílias em assentamentos novos e deixou de regularizar a situação fundiária de outras 268.071 famílias. Portanto, a dívida que o MDA/Incra tem com a reforma agrária em 2007 é de mais de 390 mil famílias.

Assim, a realidade “nua e crua” que os movimentos sociais e sindicais de luta pela terra têm que acreditar é que, apenas pouco mais de um terço da reforma agrária prometida foi feita no primeiro mandato do governo Lula. Têm que acreditar também, que o MDA/Incra continua mentindo e escondendo a verdade sobre os números da reforma agrária.

E qual é a conseqüência dessa prática política?Mais de 150 mil famílias que estavam acampadas em 2003 continuam acampadas em 2007. Somando-se elas o contingente que foi para os acampamentos entre 2004 e 2006, chega-se ao total de mais de 240 mil em baixo das lonas pretas à espera da reforma agrária que não vem.

Felizmente, a verdade tarda, mas não falta, e a máscara vai caindo.É por isso que a reforma agrária no Brasil é uma conquista dos movimentos sociais e, só ocorre quando eles vão à luta. Mas, o MDA/Incra continua acreditando que mentindo sobre o número dos assentamentos novos pode estancar a revolta que continua reinando nesses acampamentos. Ou que, enviando um mês ou outro, cestas básicas para elas, sua paciência vai continuar.

Parece que não há mais alternativa pela via institucional, para se alcançar a reforma agrária também no governo do Partido dos Trabalhadores, pois, estão deixando somente a saída da luta, agora, contra o governo do quase ex-companheiro Lula. Ele, mais do que ninguém, está agora com a palavra, porque depois de ter mantido no MDA/Incra a mesma equipe do primeiro mandato, ou pode estar sendo muito bem enganado, ou então, estar concordando com a farsa dos números. A sociedade brasileira acabará por descobrir, qual é a hipótese verdadeira.

O presidente Lula está com a palavra!

(*) Professor titular de Geografia Agrária pela Universidade de São Paulo (USP). Estudioso dos movimentos sociais no campo e da agricultura brasilera, é autor, entre outros livros, de "Modo capitalista de produção (Ática, 1995)", "Agricultura camponesa no Brasil" (Contexto, 1997).Agência Notícias do Planalto, 02/07/07.

sábado, 7 de julho de 2007

Inpe lança Atlas Socioeconômico- Ambiental do Nordeste

Por Thiago Romero

Agência FAPESP - Disponibilizar imagens de satélites, mapas temáticos e banco de dados censitários sobre todos os estados do Nordeste. Essa é a proposta do Atlas Socioeconômico- Ambiental do Nordeste, lançado pelo Centro Regional do Nordeste (CRN) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em Natal. As informações são gratuitas e estão na internet.

A base de dados da plataforma, que conta com atualizações semanais, tem mais de 500 planos de informações para download. Os dados foram elaborados com base em informações socioeconômicas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), extraídas dos censos de 1991 e 2000, além de levantamentos agropecuários feitos pelo instituto nos municípios em 2002, 2003 e 2005.

"O papel fundamental do Atlas é promover a espacialização dos indicadores por município e apresentar dados de forma gráfica, o que permite um entendimento mais rápido e dinâmico dos alunos e pesquisadores que estudam os 1.793 municípios do território nordestino", explicou Miguel Cuellar, coordenador do Grupo de Geoprocessamento do CRN e responsável pelo projeto, à Agência FAPESP.

Índice de desenvolvimento humano, demografia e indicadores de população, economia, habitação, transporte, infra-estrutura, renda, saúde e serviços são alguns planos de informações disponíveis. O Atlas também tem itens sobre vulnerabilidade, políticas sociais, meio ambiente e educação - incluindo dados sobre acesso à educação por nível de ensino, analfabetismo, corpo docente, matrículas e estabelecimentos educacionais.

"Visualizar indicadores sobre demografia e renda por meio de mapas do Nordeste evidencia a grande diferença entre o litoral, que tem muita população com alta renda, e o interior, onde a pobreza e os baixos índices de educação chamam atenção", disse Cuellar.

Segundo ele, esse tipo de análise espacializada das informações permite a identificação mais precisa das áreas com maior necessidade de investimentos. "O governo do Rio Grande do Norte já está trabalhando com os dados do Atlas para entender melhor o que ocorre nos municípios do estado e, dessa forma, melhorar a distribuição dos recursos.

"O serviço on-line conta ainda com mapas temáticos da geologia da região. Os downloads das imagens podem ser feitos a partir de arquivos de baixa ou alta resolução.

"Os pesquisadores podem baixar os planos de informações de um estado para uma apresentação em Powerpoint, por exemplo, ou então imprimir imagens de até um metro quadrado para um pôster, com todas as legendas e cores em alta resolução", destacou Cuellar.

As imagens de satélite do Atlas são fornecidas pelo Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS-2) e pelos satélites Landsat, da Nasa, a agência espacial norte-americana. As Informações do Censo Agropecuário 2007 do IBGE também serão prontamente inseridas quando estiverem disponíveis.

Interatividade nordestina

Uma segunda etapa do projeto, o Atlas Interativo do Nordeste, está em fase de implantação. Nele, o próprio usuário poderá indicar os planos de informação e cruzar os dados que irão compor os mapas. "O usuário terá a liberdade de combinar planos de informações e construir mapas de acordo com seus interesses de pesquisa. A previsão é que a primeira versão esteja disponível até 20 de agosto", disse Cuellar.

O trabalho de elaboração e inserção dos dados nos dois atlas, conduzido pelo Grupo de Geoprocessamento do CRN, é realizado em parceria com a Coordenação Geral de Observação da Terra do Inpe, por meio de suas Divisões de Processamento de Imagens e de Sensoriamento Remoto.

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Norte (Fapern) financiam o projeto.

Mais informações: http://www.nctn. crn2.inpe. br (Envolverde/ Agência Fapesp)
Vamos boicotar os produtos de quem está devastando a Amazônia!

Este é um boicote aos produtos (abaixo relacionados) de 3 multinacionais (ADM, BUNGE e CARGILL), que segundo as investigações do Greenpeace são as principais envolvidas na expansão da soja sobre as áreas de floresta no bioma Amazônia. Caso não façamos nada urgente, os estragos ao equilíbrio climático do planeta serão inevitáveis e trarão consequências catastróficas e sem solução para toda a humanidade, sem mencionar a extinção de espécies da fauna e flora, dos poucos índios remanescentes, a desertificação do solo amazônico e descaracterizaçã o do bioma florestal.

Links relacionados:
GREENPEACE: http://www.greenpeace.org.br/amazonia/comendoamzsumexec.pdf (Relatório de investigação em pdf, Acrobat Reader)

http://www.greenpeace.org.br/vivaamazonia/noticias.php?conteudo_id=2727

http://www.greenpeace.org.br/vivaamazonia/noticias.php?conteudo_id=2724

CENTRO DE TRABALHO INDIGENISTA:
http://www.trabalhoindigenista.org.br/destaques02.asp
Importante, puxem este vídeo: http://www.trabalhoindigenista.org.br/Docs/soja.wmv

BBC: Desmatamento não deve impedir asfalto em estrada amazônica
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2005/05/050520_amazoniabg.shtml ( Governador do MT é responsável pelo 'estupro' da Amazônia, diz 'Independent' http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2005/05/050520_pressreviewms.shtml

BOICOTE: marcas registradas abaixo

BOICOTEM, NÃO COMPRANDO OS PRODUTOS DAS 3 MULTINACIONAIS ABAIXO; ENVIEM E-MAILS E PROTESTEM!

CARGILL / SEARA
Principais produtos: óleos e azeites, carnes em geral: aves, suínos, hambúrgueres, embutidos. Principais marcas registradas:LISA MAZOLA PURILEV OLÍVIA AZEITES LA ESPAÑOLA AZEITES GALLO SEARA

BUNGE
Principais produtos: óleos e azeites, margarinas, maioneses, leite de soja industrializado. Principais marcas registradas: PRIMORSOYA SALADA CYCLUS AZEITES ANDORINHA LEITE DE SOJA ALL DAY

ADM (ARCHER DANIELS MIDLAND)
Principais produtos (no Brasil fornece principalmente ingredientes para o uso industrial): ácido cítrico, citratos, óleos, etanol, Glucono Delta Lactona (GDL), ácido láctico, sorbitol, dextrose, goma xantana isoflavonas, lecitina, etc.
Principais marcas registradas: ENOVA NOVA LIPID FIBERSOL-2 CARDIOAID SOY7 NUTRISOY NEXT NOVASOY ARCON VITAMIN E 230 CLEAR

Atenção: Caso você participe de nosso boicote, ao comprar óleos, azeites ou margarinas de marcas próprias de grandes redes de abastecimento (exemplo: ÓLEO DE SOJA MARCA COMPRE BEM, PÃO DE AÇÚCAR ou EXTRA), verifique nas letras pequenas da embalagem quem produz realmente. Porque tanto a BUNGE como a CARGILL estão envasando muitas marcas próprias com rótulos das grandes redes distribuidoras e você pode levar pra casa sem saber. Conforme os dados do relatório publicado recentemente pela revista científica Nature, até 40% da Amazônia pode ser destruída até 2050, com conseqüências desastrosas para a biodiversidade e equilíbrio climático do planeta. Segundo o diário inglês The Independent, em 2004 o desmatamento registrado no bioma Amazônia foi o segundo maior da história, com uma área derrubada do tamanho da Bélgica, sendo que "metade da destruição foi no Estado de Mato Grosso, onde o Grupo Maggi é o maior produtor de soja do mundo, e onde Blairo Maggi é governador". Mais de 20% da água doce do planeta está concentrada na região amazônica. Em 2005 os efeitos adversos no desequilíbrio climático já se mostraram evidentes na pior seca ocorrida na Amazônia nos últimos 50 a 100 anos, sendo que realmente não há dados científicos para confirmar se em toda Amazônia já houve seca pior anteriormente.

Veja as fotos da seca de 2005, CLIQUE AQUI.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/pop_galerias/051018_greenpeace_pop.shtml

Veja o vídeo da seca de 2005, CLIQUE AQUI
http://www.greenpeace.org.br/amazonia/videos/amazondrought.wmv?PHPSESSID=5464baa59827a78f125e6f91591a164d

A histórica e reveladora seca do Amazonas (artigo com diversos links) http://www.amazonia.org.br/guia/detalhes.cfm?id=182580&tipo=6&cat_id=44&subcat_id=191

Manaus e leste do Amazonas sofrem a seca mais severa dos últimos 103 anos, diz pesquisador do Inpe (artigo)
http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=183687

Segundo investigação realizada pela Greenpeace Internacional, nos últimos anos, cerca de 1,2 milhão de hectares de florestas foram convertidas em plantação de soja no Brasil. O Estado do Mato Grosso (mais da metade se encontra no bioma Amazônia) tem se destacado nessa devastação, tornando-se em poucos anos o maior produtor de soja do Brasil, responsável por quase um terço da safra de 2004, e também campeão em desmatamento e queimadas (48% do total desmatado em 2003).

Monitoramento de Queimadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais:
http://www.cptec.inpe.br/products/queimadas/

A expansão da monocultura de soja sobre áreas de floresta, está sendo estimulada e vem beneficiando sobretudo três multinacionais americanas: a Archer Daniels Midland (ADM), a Bunge e principalmente a Cargill. Estas empresas além de serem compradoras do produto, financiam pelo menos 60% da produção de soja em todo o país, fornecendo sementes e fertilizantes em troca da colheita, construindo e mantendo toda uma infra estrutura destinada ao negócio (como silos, estradas, portos, terminais, etc). Segundo o relatório do Greenpeace, todas já negociaram com fazendas que promovem a escravidão. A Cargill também tem recrutado muitos fazendeiros no sul do Brasil, sob seus termos e proteção, para plantar soja na Amazônia. A maior parte da soja amazônica é exportada pra Europa e é usada como ração animal de baixo custo, para atender a crescente demanda de carne. Hoje a expansão da soja na Amazônia é a mais séria de muitas ameaças ao futuro da floresta.

Edson F. Bucci
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